Por uma vida mais simples :: Aprendizado

Será que a gente consegue mesmo aprender a viver de maneira mais simples? Depois de conversarmos sobre a dimensão da afetividade, no primeiro texto desta série Por uma vida mais simples, chegou a hora de falarmos sobre aprendizado. Mas afinal, como extrair lições da vida, para tornar a vida mais simples, quando a própria vida parece tão complicada?

Se você sentiu que a coisa começou a ficar complicada, tudo bem! A proposta aqui é desenrolar esse emaranhado de argumentos; o que não é fácil, como já dito no primeiro texto!

O aprendizado é uma das três dimensões que compõem a vida humana, junto com a afetividade (tema do primeiro texto) e a realização (tema do próximo), propostas pela Conscienciologia Humanista; na prática, a dimensão do aprendizado explora a maneira como somos constantemente transformados pelas experiências extraídas daquilo que vivenciamos. Compreender a forma como aprendemos torna este aprendizado mais consciente, trazendo mais significado para uma vida mais simples.

Quero compartilhar e propor três perspectivas sobre o aprendizado, sem “receitas prontas” ou respostas definitivas; deixo apenas o convite para que você duvide de tudo o que ler aqui, escolhendo aprender com aquilo que experimentar na prática, a partir dessa outra visão do mundo.

Vivência & Experiência (duas faces da mesma moeda)

Mesmo sendo sinônimos na Língua Portuguesa, proponho que você imagine estas duas palavras como partes distintas num ciclo de aprendizado; de um lado a vivência envolve aquilo que vivenciamos numa situação, enquanto, por outro lado, a experiência corresponde as lições extraídas daquilo que vivenciamos. Dito isso, podemos inclusive intuir que podem haver vivências sem experiências, afinal há situações em que não conseguimos extrair lições significativas, apesar da falácia de que “sempre tiramos uma lição de tudo”; entretanto, toda experiência é resultado de uma vivência consciente.

Você pode vivenciar a aventura de saltar de paraquedas, o cenário de uma separação afetiva, a conjuntura de uma crise sociopolítica, o ambiente de um conflito ou contexto de adversidade qualquer; sem necessariamente extrair experiências significativas destas situações todas. A prova disso é a maneira como algumas pessoas repetem seus comportamentos em situações similares àquelas que já foram vividas; demonstrando a ausência do aprendizado pregresso.

“Mas qual a importância de separar os conceitos de vivenciar e experienciar?”, você pode estar se perguntando; a resposta é simples, e dura: É preciso mais que “passar por uma situação” para extrair uma experiência de significado! Quer um exemplo? Observe as histórias e narrativas de quem sobreviveu a uma doença crônica ou rara, empreendeu um negócio de sucesso, ou ainda quem passou por qualquer outra crise pessoal (separação, perda, etc.); a grande maioria relata o que ocorreu, oferecendo detalhes, descrições dolorosas, expondo cicatrizes (físicas ou emocionais); algumas outras dão ênfase ao porquê, tentando explicar os motivos que as levaram àquela situação vivenciada, quase se justificando, às vezes se vangloriando também; mas poucas conseguem dar foco ao como lidaram, de que maneira experienciaram a situação em si, e quais lições originaram novos comportamentos e atitudes, aplicado em outras situações, similares ou não.

Reconhecer a diferença entre experiência e vivência nos permite olhar de maneira mais crítica para aquilo pelo que passamos, a fim de escolher os significados que levaremos conosco; é saber que o que nos define não são as adversidades que nos são impostas, e sim as escolhas  de como lidar com elas!

A chave está no significado de cada aprendizado experienciado.

Aprendizado pelo Significado

Você leu o texto Por uma vida mais simples :: Afetividade, primeiro desta série? Lá eu proponho que você leve apenas o que for leve, e falo que o peso está no significado que você dá àquilo que as pessoas te oferecem, e não nos afetos em si. Aqui há uma lição importante: aprendemos por meio do significado que damos à experiência, não ao peso, dor ou complexidade da vivência!

Para perceber como funciona na prática, basta observar como diversas vivências negativas criam experiências apreciativas de autoconhecimento, superação de limites ou descoberta de valores; tanto quanto outras vivências positivas! “Ah, e uma vivência positiva pode gerar uma experiência negativa?”; hummm, releia a frase anterior e verá que eu me refiro à experiência sempre como apreciativa, e não positiva. Apreciativo é um adjetivo e se refere a algo com apreço, de valor, estimado (querido ou admirado); portanto, toda experiência tem seu valor, mesmo quando se origina numa vivência negativa.

Vale lembrar um aforismo que escrevi há alguns anos, e que me serve como lema, quase um mantra diário:

“O maior desafio que a vida nos impõe é dar significado a ela!”

Eis aí um aprendizado que tive, e merece ser posto em prática, todos os dias!

A prática como ambiente de reflexão

Com certeza, o principal valor da experiência está em colocar em prática as lições que aprendemos! E o mais fascinante é poder fazê-lo ainda durante a própria vivência. Diferente da ideia de escola tradicional, em que aprendemos para provar num teste nosso conhecimento, ou mesmo da graduação, em que aprendemos para conseguir um futuro emprego, na escola da vida aprendemos vivendo e vivemos aprendendo.

Por isso, mesmo correndo o risco de soar muito clichê, é preciso dizer: não deixe para aplicar amanhã aquilo que você acabou de aprender; afinal a prática é o melhor ambiente de reflexão, e (re)aprendizagem.

Viver é como “trocar os pneus com o carro em movimento”, ou “consertar o avião enquanto está voando”! Como diria um outro aforismo que escrevi (haja nostalgia):

“O mundo não espera você aprender para agir; ele continua se movendo para você apreender agindo!”

E será que conseguimos aprender com a experiência de outras pessoas? Acredito que, com a experiência, sim! Afinal, só nos é virtualmente impossível viver o que ela viveu.

E você, consegue distinguir as diferentes experiências das suas vivências? Compartilhe as lições que você conseguiu apreciar este ano! Quem sabe suas experiências contribuam para trazer mais significado à vida de outras pessoas!

Rafael Giuliano,
aprendendo a apreender, todos os dias!

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