Escolhi a Vida nos Bosques

É fascinante perceber quando aprendemos algo tão valoroso e significativo que se torna impossível agir de maneira diferente daquilo em que se acredita, e que faça bem a alguém, além de nós mesmos. E nesses 40 anos, trago comigo muitos desses aprendizados. Leituras, diálogos e vivências que mudaram minha maneira de existir e ser humano, transformando a prática em ambiente de reflexão. Foi assim que escolhi a Vida nos Bosques.

Algumas pessoas se surpreenderam com a decisão que tomei, outras duvidaram que eu deixaria de morar na “cidade” até que me vissem na Casa dos Lagos (nome carinho que escolhi para o lugar em que estou agora). Porém, a reação mais interessante é das pessoas que manifestam o mesmo desejo, mas dizem ainda não ter a oportunidade de viver no campo, com mais simplicidade. Em comum, tanto das descrentes quanto das incentivadoras, ouço a pergunta: Por quê?

Minha resposta é simples e direta…

 

“É preciso escolher viver aquilo em que se acredita!”

Lembro do quanto me afetou assistir ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos” (dirigido por Peter Weir, com roteiro de Tom Schulman, lançado em 1989); a história do professor que buscava despertar nos estudantes o sentido de Carpiem Die, para que aprendessem a “aproveitar o momento”, foi a primeira fonte de reflexão consciente sobre a momentaneidade da vida.

Numa das cenas, quando os estudantes resgatam a Sociedade dos Poetas Mortos (que serve de título ao filme), o primeiro poema que lêem é de Henry D. Thoreau, que transcrevo aqui tal como eu o gravei em mim, portanto, com um toque de liberdade poética:

Eu fui aos bosques porque queria viver intensamente a vida;
Sugar toda a essência de vida;
Eliminar tudo aquilo que não fosse vida;
Para que quando eu morresse não descobrisse que não vivi.

Muito anos depois, pesquisei quem era o pensador e escritor estadunidense, autor do poema; um anarquista individualista que escolheu deixar a cidade para viver nos bosques, descrevendo sua experiência no livro “Walden ou A Vida nos Bosques”. O livro, que hoje releio pela segunda vez, traz uma visão propositiva, muito mais que a mera crítica à vida na cidade ou à industrialização, como defendem alguns de seus pesquisadores. Thoreau fala, para mim, sobre existir por meio de suas próprias realizações; ele constrói a casa em que viveria no bosque, produz parte do alimento para consumo, sem no entanto dar às costas às outras pessoas, mas escolhendo por uma simplicidade que reduziu a forma como o mundo ao redor o afetava.

Soma-se à lição de se existir por meio das nossas próprias realizações tantos outros livros, filmes, pensamentos e reflexões que me fizeram acreditar que a vida merece ser vivida de maneira mais apreciativa, intencional e transcendental. Enquanto alguns falam sobre a busca por sucesso, felicidade ou tantos outros critérios para uma “vida produtiva”, alinho-me à Nietzsche e sua ideia de vontade de potência, e afirmo que busco simplesmente alcançar meu pleno potencial de ser.

 

Sobre as escolhas que nos permitimos, ou nos impomos…

Recentemente publiquei que às vezes precisamos de uma dose do bom e velho anarquismo individualista para não adoecer, ou enlouquecer, com o senso comum e o “efeito manada” ao nosso redor. Dito isso, fiz o convite para que cada pessoa experimente fazer com que suas escolhas sejam conscientemente SUAS!

Essa reflexão vem se tornando cada dia mais imprescindível diante de tantas escolhas feitas por pessoas que se justificam pela ausência de alternativas, ou imposições alheias à própria vontade. 

Talvez possamos, diante da atual quebra nas rotinas cotidianas, quando percebemos quantas coisas (ou a falta delas) nos afetam de verdade, aprender que somos muito mais que os papéis sociais (auto)impostos; há vida, desejos e necessidades muito além dos títulos que buscamos alcançar.

Experimente fazer suas escolhas com base naquilo em que você acredita, e que faça bem a alguém, além de você mesmo.

 

Rafael Giuliano,
vivendo a vida nos bosques, por livre e consciente escolha própria!

 

PS: Quer saber mais? Acompanhe algumas postagens no Instagram.
PS2: Quer explorar um pouco mais do seu próprio potencial? Entre em contato para um café virtual!

Um comentário sobre “Escolhi a Vida nos Bosques

  1. Muita maturidade envolvida. Acreditar que podemos ter as rédeas da. Issa vida e viver por nos mesmos eh um grande passo, carregado de muita reflexão. Adorei o texto.

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