Você se esforça para ser alguém interessante ou interessado?

Na dinâmica das relações afetivas, que muitos ainda teimam em tratar como jogo, é surpreendente como as pessoas ainda se esforçam mais em parecer interessantes do que se demonstrar interessadas; o que pode fazer com que um simples diálogo assuma características de uma desnecessária competição, ou de um monólogo interminável.

Os motivos que levam as pessoas a agirem desta maneira podem ser os mais diversos; mas o medo de não despertar o interesse no outro ainda é o mais comum. Entretanto, esforçar-se para parecer interessante desencadeia outros dois possíveis comportamentos, antagônicos entre si mas igualmente tóxicos às relações afetivas: o egocentrismo afetivo ou a inautenticidade afetiva.

Nas relações humanas, o egocentrismo afetivo se manifesta principalmente pela ausência da escuta, quando o indivíduo ignora os afetos do outro, seus valores e anseios, ocupando todo o espaço da relação com as próprias demandas sem oferecer nada em troca, nem sequer atenção. Torna a relação abusiva, usando o outro como fonte de atenção.

No outro extremo encontramos o comportamento de inautenticidade afetiva, quando a pessoa abre mão dos próprios afetos, sua individualidade e potencialidade, na busca de se tornar o objeto de interesse do outro. O indivíduo pode chegar ao estado de subserviência, deixando de lado seus valores para evitar o conflito; o que pode alimentar um possível comportamento egocêntrico afetivo (abusivo) do outro.

Apesar de serem comportamentos antagônicos, o egocentrismo afetivo e a inautenticidade afetiva podem criar um círculo vicioso entre duas pessoas, ao invés de uma relação afetiva de fato. Os envolvidos acreditam ter assumido o papel de indivíduos interessantes aos olhos do outro, mas na verdade apenas seguem um jogo de interesses; e sem conhecer de fato um ao outro.

 

O valor da curiosidade genuína!

Com o passar do tempo, aprendi que a melhor maneira de começar uma boa conversa é perguntando à pessoa o que você faz da vida? As respostas iniciais quase sempre têm relação com o trabalho; então dirijo a questão para os hobbies, ou aquilo que faz por simples prazer. Mesmo que a pessoa diga não ter nenhum passatempo isso já desencadeia um diálogo que explora a curiosidade de um pelo outro.

O exercício de perguntar e demonstrar uma curiosidade genuína desperta um diálogo muito mais fluido, diferente da ideia de se soltar frases aleatórias, todas começando com eu isso, eu aquilo.

É fascinante como esta curiosidade genuína faz bem tanto à pessoa por quem se demonstra interesse quanto àquela que se interessa. Senti este prazer nos diálogos iniciais com uma pessoa que conheci recentemente. Começamos a trocar várias mensagens, muitas vezes iniciadas por curiosidades minhas. Depois de várias histórias compartilhadas ela me disse estar surpresa por eu demonstrar mais interesse, ao invés de parecer interessante. 

 É fascinante como estar genuinamente interessado nos torna pessoas mais interessantes, inclusive para as outras pessoas.

 

Rafael Giuliano,
genuinamente curioso por natureza e pela natureza humana!

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