É preciso DECLARAR o que se sente!

Sentir é, por essência, uma ação; um ciclo para o qual precisamos nos permitir e declarar. Afinal, todo sentimento não declarado frustra, adoece. Para que um ciclo seja fechado é preciso declarar o que se sente.

Ao olharmos para as relações de afeto hoje, talvez pode até parecer que já há muita coisa declarada; basta olhar para as mídias sociais para alguém supor que já há declarações, exposições e opiniões demais! Entretanto, será mesmo que aquilo que se vê nas “redes sociais”, nos grupos de WhatsApp ou mesmo nas conversas de bar, refletem o que as pessoas realmente sentem?

Todos os dias converso com diversas pessoas sobre seus questionamentos existenciais e as adversidades envolvendo suas relações afetivas (familiares, sexuais, profissionais, fraternais, ou todas as opções anteriores juntas!); ouço as reclamações (o que é natural), narrativas a respeito do comportamento dos outros, numa mescla de julgamento, autocrítica e pedido de socorro. Mas o essencial quase sempre surge apenas no finalzinho destes diálogos, quando as pessoas conseguem dizer o que realmente estão sentindo; como aquilo tudo as afeta. São nestes momentos, durante o exercício de reflexão para tomada de consciência, que as pessoas conseguem encontrar as palavras para declarar aquilo que sentiram e ainda sentem; aliviando aquela pressão, deixando fluir as palavras presas na garganta, o sentimento não declarado que se torna, na maioria das vezes, um ressentimento amargo e doentio.

A importância de declarar aquilo que sentimos vai muito além do simples pôr para fora a dor; engana-se quem pensa se tratar apenas das mágoas. Guardar exclusivamente para si a afeição ou saudade de alguém pode transformar um sentimento belo numa dor incessante.

Ao não declarar seu sentimento de afeto, seja por medo da rejeição ou vergonha pela exposição, a pessoa corre o risco de idealizar a resposta do outro que, sem o contato ou demonstração da outra parte, pode também não declarar seus próprios sentimentos.

Quando me deparo com casos que denotam depressão, ansiedade ou dificuldade de relacionamento, proponho que a pessoa reconheça primeiro seus sentimentos, ao invés de buscar entender o comportamento do outro. Então, experimentamos os expressar de maneira assertiva e apreciativa, na busca do sentido das palavras para o próprio indivíduo. Assim a pessoa (re)aprende a se declarar; criando argumentos para a sua própria ressignificação ou ainda para melhorar o diálogo com o outro.

 

Declare-se!

Declarar-se envolve três etapas da tomada de consciência:

  1. Reconhecer aquilo que sinto, indo além da superfície para perceber a forma como o sentimento transforma minha forma de ver e compreender o mundo!
  2. Escolher as palavras que traduzam o que sinto, de maneira a deixar transbordar de mim para a(s) outra(s) pessoa(s)!
  3. Aceitar e respeitar que meus afetos fazem de mim quem sou, não a outra pessoa, mesmo sendo ela a razão deste afeto.

Dizer o que sente, expressar sua dor, demonstrar seu amor e acolher com respeito também os afetos de outras pessoas… tudo isso é se declarar!

Aprender a se declarar pode até não ser a “solução para todos os seus problemas”; mas pode tornar sua vida, e das pessoas ao seu redor, mais significativa e menos doente.

Todo sentimento declarado conclui seu próprio ciclo de ação; realiza-se pela demonstração do afeto, pelo desabafo e não pela mera reclamação.

Como você tem se declarado ao mundo, recentemente?

 

Rafael Giuliano,
declarando-se cada dia de maneira mais livre!

Um comentário sobre “É preciso DECLARAR o que se sente!

  1. Eu me declaro no dia a dia, nas relações e ações! Mas foi um longo caminho até aqui! Se declarar e se abrir e sem medo! E isso leva tempo! Transpor os muros de defesa eh um processo longo e dolorido! Mas o resultado eh maravilhoso! Parabéns pelo texto!

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